Cientismo
O método axiomático-dedutivo de Descartes (1596-1659). A regra da evidência, a regra da análise
e a regra da verificação, como
fundamento do esprit geométrique. A
morte de Deus e a solidão da razão individual. A matematização do universo,
na sequência da descoberta da lei da inércia e da gravitação de Isaac Newton
(1642-1727): tudo
o que não é deduzido dos fenómenos é uma hipótese.
O empirismo de Francis Bacon (1561-1626). O poder e o conhecimento como
sinónimos O método axiomático-dedutivo. A consideração de que o único método
possível para a ciência é o da matemática e da geometria. A emergência de
Kant, como síntese entre o racionalismo e o empirismo. O nascimento, a partir
de Kant, do idealismo, na linha de Hegel, e do positivismo, na linha de Comte.
— A física social de Auguste
Comte e o triunfo do cientismo empírico-analítico
ou físico-matemático. A procura de uma nova ciência arquitectónica ou ciência
de cúpula, onde o método é que determinaria o objecto. A invenção do
neologismo sociologia (1838),
qualificação que foi precedida pelas designações de ciência política (1822) e de física
social, tendo, mais tarde, como alternativas, as expressões sociocratia
e sociololatria. A ideia de ciência política como uma
física particular, fundada sobre a observação directa dos fenómenos
relativamente ao desenvolvimento da espécie humana — Século XIX.
Ligação do positivismo, ao empirismo e ao darwinismo social. A emergência do
organicismo. A política desaparecendo como substantivo, passando apenas a haver
ciências políticas. — Ligação
da questão do método cientificista à perspectiva economicista da extinção do político
e do Estado. Proudhon e a defesa da dissolução do governo no organismo económico.
Marx e a proposta de superação do governo das pessoas pela administração das
coisas. — O culturalismo neo-kantiano e a descoberta dos valores.
Heinrich Rickert, a Escola de Baden e as ciências
da cultura. Wilhelm Dilthey, as ciências
do espírito e o método da compreensão. A sociologia compreensiva de Max
Weber e o individualismo metodológico. — A metodologia de Karl Popper e
o racionalismo crítico. O método da verificação a contrario e o critério da falsificação. O contributo de
Friedrich Hayek e a teoria dos sistemas complexos. — A encruzilhada do
nosso tempo. Neo-empirismos e neopositivismos. Funcionalismos e sistemismos.
Regressos à filosofia prática e à hermenêutica. As discronias ou de como em
certos espaços se continuam a viver outros tempos.
Cientismo, segundo Popper, é o movimnto que concebe os métodos das ciências sociais como os
mesmos das ciências físicas., 24, 156
Cientismo newtoniano
Aquele que admite "partição da vida em elementos", contra esse
racionalismo, segundo o qual "passou a ser culturalmente aceite que, por
muito complexo que seja um sistema, inclusive os sistemas económicos e sociais,
seria sempre possível definir e separar as partes ditas elementares, e dado
algum tempo de experimentação e reflexão seria possível encontrar a lei (ou
leis) que, resumindo ao essencial as relações entre as partes, recriassem o
todo do sistema para todo o sempre", (ver FERNANDO CARVALHO RODRIGUES, A
Nova Aliança, in Futuro, Ano IV, nº 32, Abril de 1990.)
Cientismo de Comte
Do mesmo modo, se aplicássemos à ciência política as
regras da cientificidade do positivismo cientista, tanto na versão de Augusto
Comte, como na de Emile Durkheim, a ciência
política seria sempre uma não ciência.
Assim sucederia se apenas procurássemos, na senda de Comte, as
relações genéricas, verdadeiras que ligam todas as realidades sociais, se
quiséssemos ser mera física dos corpos organizados, se tentássemos encontrar as
relações constantes de sucessão e de semelhança dos diversos fenómenos
observáveis, visando prevê-los uns após os outros, se procurássemos explicar sempre como e nunca
porquê. Por esta via, acabaríamos na restrita ciência experimental de que falava Charles Maurras, cujo
objecto é a persecução de constantes regulares e de leis estáticas da
sociedade, a procura das repetições
insofismáveis. Cabe a Comte a estruturação do chamado cientismo,
esse conjunto de superstições que
pretendem explorar o legítimo prestígio dos métodos da ciência que,
segundo Roger Garaudy, obedeceria aos seguintes postulados: 1-Se toda a verdade
científica for a cópia exacta e definitiva de uma realidade da natureza, as
verdades fundamentais da ciência não poderão ser postas em causa, pelo que o
progresso do conhecimento deve fazer-se por acumulação contínua. 2- Toda a
realidade, humana ou natural, é susceptível de ser explorada através do mesmo
método, do qual a física matemática fornece o modelo ideal e único. 3-Por
conseguinte, todos os problemas, incluindo os problemas morais, políticos e
sociais, podem ser resolvidos através deste método. Assim, toda a realidade
pode ser definida através de conceitos e a natureza inteira ser vista como um conjunto de factos
que estão ligados entre si por leis, de
tal maneira que a sensação, o conceito e as leis passam
a ser os três pilares desta concepção do mundo e da vida. Porque, com o conceito,
logo se reduz todo o sujeito e todo o
projecto à s leis, à s medidas e aos limites do objecto.