Governo
de Vitorino Guimarães
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De
15 de Fevereiro de 1925 a 1
de Julho de 1925 |
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36º
governo republicano 22º
governo pós-sidonista[1] |
136
dias. Quatro
meses e meio. |
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·Presidente
ocupa a pasta das finanças. Tinha sido ministro
das finanças dos governos de José de Castro (de 19 de Junho a 29 de
Novembro de 1915), Cunha Leal (de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro
de 1922) e António Maria da Silva (de 14 de Setembro a 13 de Agosto de
1923). ·No
interior, Vitorino Henriques Godinho ·Na
justiça, Adolfo Augusto de Oliveira
Coutinho; ·Na
guerra, general Ernesto Maria Vieira
da Rocha, até 21 de Abril de 1925. Tinha sido ministro da guerra nos governos de António Maria da
Silva de 30 de Novembro a 7 de Dezembro de 1922; e Rodrigues Gaspar, de 6
de Julho a 22 de Novembro de 1924. Voltará à guerra no gabinete de
Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 30 de Outubro de 1925;
ministro
das colónias no mesmo governo, de 30 de Outubro
de 1925 a 17 de Dezembro de 1925;
ministro das colónias com
António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de
1926. ·Na
marinha, capitão de fragata Fernando Augusto Pereira
da Silva. Foi ministro de tal pasta nos governos de Álvaro de
Castro (de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924) e de Rodrigues
Gaspar (de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924). Voltará a tal pasta nos
de António Maria da Silva (de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925); Domingos
Pereira (de 1 de Agosto de 1925 a 17 de Dezembro de 1925); e de António
Maria da Silva (de 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926). ·Nos
estrangeiros, Joaquim Pedro Martins,
enquanto membro da Acção
Republicana. Tinha sido ministro
da instrução pública no ministério da União Sagrada, presidido por
António José de Almeida, de 16 de Març o de 1916 a 25 de Abril de 1917,
enquanto independente. ·No
comércio e comunicações, coronel Ferreira
de Simas; ·Nas
colónias, António de Paiva Gomes (não
chega a tomar posse) e, depois de 16 de Fevereiro, o capitão de fragata
Henrique Monteiro Correia da Silva
(Paç o d’Arcos); ·Na
instrução, o alvarista Rodolfo Xavier da Silva[2].
Foi ministro dos estrangeiros com Domingos Pereira, de 30 de Març o
a 30 de Junho de 1919; dos estrangeiros, com António Maria Baptista/
Ramos Preto, de 8 de Març o a 26 de Junho de 1920; e ministro do trabalho
com Rodrigues Gaspar de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. ·No
trabalho, Ângelo de Sá Couto da Cunha Sampaio
Maia; ·Na
agricultura Francisco Coelho do Amaral Reis Em
16 de Fevereiro de 1925: ·Henrique
Monteiro Correia da Silva (Paç o d’Arcos) nas colónias |
Fevereiro
de 1925 ·Constituído
o governo em 15 de Fevereiro. ·O
gabinete era constituído por sete democráticos (juntando bonzos e
canhotos), dois alvaristas (Xavier da Silva e Sampaio e Maia) e dois
independentes (Pereira da Silva e Pedro Martins). Os
vitorinos que nos governam, como então se dizia. Um cacharolete de democráticos, alvaristas e independentes,
segundo a expressão de Cunha Leal. Até porque Vitorino Guimarães se
situava na ala central do partido, não alinhando nem com bonzos nem com canhotos.
Ainda era um gabinete
concentracionista dirigido por um centrista
dentro do partido democrático[3]. ·Na
votação do governo, no dia 18 de
Fevereiro, os dezoito deputados nacionalistas abandonaram a sala,
tendo o governo passado, por 63-3[4]. ·Uma
das primeiras medidas do novo governo, logo em 23 de Fevereiro, foi a suspensão do decreto bancário de 17 de
Janeiro, numa cedência às forças
vivas[5]. Març o
de 1925 ·Motins
em Valpaç os contra o pagamento dos impostos (2 de Març o). ·Nesse
mês começaram a circular as notas de Alves dos Reis. ·Em
4 de Març o, o tenente Teófilo
Duarte elogia o fascismo italiano e critica o nosso socialismo de Estado, bem como o movimento das forças económicas que se arrogam a
pretensão de substituir as forças políticas na governança do Estado.
·Em
5 de Març o, três oficiais monárquicos
(capitão Cal, tenente Mendes de Carvalho e alferes Martins Lima, todos
afastados do exército por causa da revolta de Monsanto) tentam apossar-se
do quartel general da guarnição militar de Lisboa[6]. ·No
Congresso do Partido Nacionalista, de 7
e 8 de Març o, houve uma integração dos derradeiros sidonistas que permaneciam independentes. Ataques a
Teixeira Gomes e ao governo[7].
·Em
14 de Març o o governador civil
de Coimbra proíbe o jornalista Homem Cristo, filho, amigo de Mussolini,
de realizar uma conferência. ·Novo
decreto bancário em 20 de Març o. Abril
de 1925 ·Em
18 de Abril, nova revolta
militar, liderada por Filomeno da Câmara e apoiada por Fidelino de
Figueiredo (a chamada revolta dos fifis).
Outros líderes militares são Raul Esteves, Freire de Andrade, Pedro José
da Cunha e Jaime Baptista. 61 oficiais envolvidos.
Era a primeira vez, desde 1870, que uma revolta militar era
comandada por oficiais generais no activo. Entre os conspiradores civis,
Antero de Figueiredo, Carlos Malheiro Dias, José Pequito Rebelo e
Martinho Nobre de Melo. O golpe teve o apoio da Cruzada Nun’Álvares[8].
Tinha algumas semelhanças com o de Primo Rivera em Espanha. ·Ocupada
a Rotunda pelos revoltosos, com o batalhão de maetralhadoras, o batalhão
de sapadores de caminhos de ferro e a artilharia de Queluz, a partir das
17 horas do dia 18. ·No
dia 19, Sinal de Cordes vai ao
quartel do Carmo tentar conciliação. Preso Cunha Leal que não teria
qualquer ligação com o episódio. Os jornais O
Século e o Diário de Notícias
são suspensos. Sinel de Cordes chegou a sugerir a Teixeira Gomes que
nomeasse Filomeno chefe do governo. Para o jugular do golpe teve especial
destaque o ministro da marinha (Pereira
da Silva), dado que o ministro da guerra (Vieira
da Rocha) defendia que se parlamentasse com os revoltosos[9]. ·Em
21 de Abril é exonerado o
ministro da guerra.. ·Em
22 de Abril os deputados
nacionalistas discutem o caso dos deputados presos (Cunha Leal e Garcia
Loureiro)[10]. O jornal do CCP, Novidades,
critica o golpe de Estado em 22 de Abril. ·Neste
mesmo dia era apresentado o primeiro requerimento para a fundação do
Banco de Angola e da Metrópole, de Alves dos Reis (o respectivo
funcionamento será autorizado em 17 de Junho). ·Em
25 de Abril, a lei nº 1 770
estabelecia novo regime dos fósforos, acabando com o exclusivo da
Companhia Portuguesa de Fósforos e fixando um novo regime de liberdade.
Encerrada a fábrica e sendo despedidos cerca de 1 200 operários, eis que
o governo seguinte, através do ministro das finanças Torres Garcia,
permitiu a reabertura por 90 dias, que terminavam no dia 15 de Fevereiro
de 1926, embora se autorizasse a importação de caixas de fósforos. O
governo começava a enredar-se em fósforos e tabacos, tal como acontecera
com os últimos governos monárquicos. |
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Em
23 de Abril de 1925: ·António
Nogueira Mimoso Guerra
na guerra (entre 21, data da exoneração de Vieira da Rocha, e 23 de
Abril, a pasta da guerra foi interinamente assumida por Vitorino Guimarães).
Mimoso Guerra tinha sido subsecretário de Estado da guerra, com o
ministro Norton de Matos, nos governos sucessivos de António José de
Almeida e Afonso Costa, entre 18 de Maio de 1916 e 10 de Dezembro de 1917. |
·Em
30 de Abril, enquanto o
parlamento suspendia a sua actividade até fins de Maio, continuava o
estado de sítio em Lisboa[11]. Segundo Marques
Guedes, o governo de Vitorino Guimarães, apesar de ter vencido o 18 de
Abril, apresentou-se mais como réu
do que como vencedor. Começava então a falar-se numa revolução de remorso face à demissão do Exército dos
implicados no movimento de 18 de Abril[12].
·Salazar,
no mês de Abril, está no Funchal, onde profere duas conferências: Laicismo
e Liberdade e O Bolchevismo e a
Congregação[13]. Maio
de 1925 ·Vitorino
Guimarães manda ouvir a Inspecção do Comércio Bancário sobre o
requerimento para a constituição do Banco Angola e Metrópole em 2 de Maio. ·Criada
uma comissão para estudar as causas da subida do custo de vida em 2
de Maio. ·Em
13 de Maio, mais de cem mil
pessoas nas cerimónias de Fátima[14]. ·Em
15 de Maio, a Legião Vermelha promove um atentado contra Ferreira do Amaral.
Segue-se a prisão de cerca de uma centena de terroristas que foram
deportados para África. Um deles, Bela
Kun, ao ser deportado, diz aos jornais que a sua ausência seria
curta, porque em breve reabriria o parlamento[15].
·Em
28 de Maio o jornal A Época
fala em ditadura da incompetência. ·Criação
da Bolsa Agrícola em 28 de Maio. Junho
de 1925 ·Congresso
do partido democrático em 4 de
Junho. ·De
14 a 19 de Junho, X Congresso da Associação Espanhola para o
Progresso das Ciências em Coimbra. Salazar apresenta uma comunicação
sobre o Aconfessionalismo do Estado[16]. ·Vitorino
Guimarães autoriza o funcionamento do Banco Angola e Metrópole em 17 de Junho, ·Em
19 de Junho José Domingues dos Santos nega ligação com os
extremistas da Legião Vermelha. Responde-lhe o deputado Agatão Lança
que recorda a manifestação de 13 de Fevereiro quando ele permitiu que à
frente dela seguissem 60 homens armados[17]. ·Vitorino
Guimarães pede ao parlamento que lhe permita governar em regime orçamental
de duodécimos. Por 52-24, a Câmara dos Deputados apenas lhe permite
viver em tal regime durante o mês de Julho (votação em 26
de Junho). António Maria da Silva não alinha na proposta do
presidente do ministério e este pede a demissão. Conforme observa Cunha
Leal, esgotadas as soluções
governativas democráticas de bonzos canhotes e centristas, ia
cimentar-se, até mais ver o consulado de António Maria da Silva[18] |
[1]Fernando Tomás Rosa Gouveia, Orgânica Governamental…, p. 59 (43º ministério; 5º do mandato presidencial de Manuel Teixeira Gomes); Pabón, pp. 550 ss.; Damião Peres, p. 392.; Cunha Leal, II, pp. 414 ss.
[2] Antigo ministro do trabalho em 1924 (governo de Rodrigues Gaspar).
[3] Cunha Leal, II, p. 430.
[4] Damião Peres, p. 393.
[5] Damião Peres, p. 393.
[6] Jesus Pabón, p. 553; Damião Peres, p. 394; Cunha Leal, II, p. 415.
[7] Damião Peres, p. 393; Cunha Leal, II, p. 415.
[8] Manuel Braga da Cruz, p. 337.
[9] Damião Peres, p. 395; Leopoldo Nunes, pp. 86 ss.
[10] Cunha Leal, II, pp. 416.
[11] Damião Peres, p. 396.
[12] Marques Guedes, p. 370.
[13] Manuel Braga da Cruz, p. 321.
[14] Rocha Martins, p. 455; Armando Marques Guedes, pp. 336-337.
[15] Leopoldo Nunes, p. 91; Rocha Martins, p. 453.
[16] Manuel Braga da Cruz, p. 321; Franco Nogueira, I, pp. 277 a 279.
[17] Leopoldo Nunes, p. 92.
[18] Cunha Leal, II, p. 419.