Eleições presidenciais de 1958

 

Entre os candidatos do regiem, começa a falar-se em José Alberto dos Reis, Albino dos Reis e Sarmento Rodrigues. A tentativa de Cunha Leal

O primeiro esboç o de uma candidatura oposicionista, segundo a escolha de uma comissão informal vinda da campanha eleitoral de 1957, onde avultavam independentes como Manuel Sertório, Manuel João da Palma Carlos e Constantino Fernandes, apostou em Cunha Leal, de acordo com uma proposta e João Pulido Valente e, para tanto, contou com o apoio dos comunistas. Contudo, o directório da Acção Democrato-Social, opôs-se a tal candidatura, o que até provocou a demissão de Nuno Rodrigues dos Santos.

 

Arlindo Vicente

Depois de Cunha Leal rejeitar a hipótese, os mesmos grupos tentaram lançar a de Manuel João da Palma Carlos, mas acabaram por escolher, em 3 de Maio, Arlindo Vicente.

 

 

Delgado, uma proposta de Sérgio

Entretanto, outros grupos oposicionistas, liderados por António Sérgio, preferiam novo modelo de candidatura, menos ligada ao reviralhismo. Já por ocasião da candidatura de Norton de Matos, Sérgio sugerira a do General Costa Ferreira, ligado ao 28 de Maio, e, mais tarde, foi ele a desencadear a de Quintão Meireles, outro ex-situacionista. Sérgio sentiu poder desenvolver as contradições do espírito do 28 de Maio, explorando a faceta republicanista e o descontentamento de vários antigos apoiantes do regime contra o protagonismo de Santos.

 

 

Manifesto de 8 de Maio

Surgiu assim a candidatura de Humberto Delgado, cujo manifesto foi emitido no dia 8 de Maio. Já então a União Nacional tinha decidido apresentar a candidatura do ministro da marinha Américo Tomás, numa reunião da comissão central a que faltou Marcello Caetano, bastante ligado a Craveiro Lopes (1 de Maio). No seu manifesto de 8 de Maio proclama: sou liberal e como liberal me dirijo a todos os portugueses que desejem a sua pátria libertada.

 

Obviamente, demito-o

Dois dias depois numa conferência de imprensa realizada no Café Chave de Ouro, declara que, quanto ao Salazar, obviamente demito-o.

 

Manifestação no Porto

Em 14 de Maio, no Porto, cerca de 200 000 pessoas aclamam o candidato na Praça Carlos Alberto. Este declara: o país não pode pertencer a dois únicos homens No comício do Coliseu, em Lisboa, discursam Rolão Preto, Cal Brandão, capitão David Neto e João Araújo Correia. Depois de um regresso triunfal a Lisboa, em 16 de Maio, com a GNR a disparar sobre a multidão, o outro candidato oposicionista, Arlindo Vicente, retira-se da pugna. No dia 17 de Maio, em nota da Presidência do Conselho anuncia-se que a polícia passaria a reprimir manifestações com maior severidade. No dia 18, novo comício de Delgado em Lisboa no Liceu Camões, a que se seguem tumultos. Cunha Leal em 20 de Maio anuncia a sua desistência e Tomás apresenta-se à inprensa na sede da União Nacional, declarando: entendo que o Chefe de Estado não pode ser discutido nem discutir, pois tem de ser respeitado. No dia 22, Delgado visita Chaves e Amarante. No dia 23, Macedo de Cavaleiros, Lamego, Régua e Viseu. No dia 27, Braga. No dia 28, Almada, onde faz acordo com Arlindo Vicente. No dia 30, Luís de Almeida Braga dá uma entrevista ao Diário de Lisboa onde critica acerbamente o Estado Novo. No dia 31, Delgado percorre Gouveia, Covilhã e Coimbra. No dia 1 de Junho em França, De Gaulle regressa ao poder e representantes dos municípios vêm a Lisboa homenagear Salazar. No dia 3, Delgado vai a Évora e a Faro. No dia 4, há comícios de Delgado e de Tomás em Lisboa.

 

Golpe de Estado constitucional

As eleições decorreram em 8 de Junho de 1958 e terá vencido Américo Tomás. Os delegados da oposição foram impedidos de inspeccionar o funcionamento das assembleias de voto. Delgado contabiliza 232 528 votos. Tomás 758 998. O New York Times, comentando, diz que salazar poderia até ter escolhido o primeiro polícia de trânsito que lhe surgisse no caminho... Mas as movimentações de apoio a Delgado durante a campanha levaram o regime a temer aquilo que Salazar qualificou como um golpe de Estado constitucional, isto é, que nos quadros da Constituição de 1933, por via do sufrágio universal, pudesse alterar-se o regime por dentro. Chamou-lhe até o desenvolvimento de um processo subversivo. Que o diga a carta do Bispo do Porto, de 13 de Junho, e as frontais críticas do Bispo da Beira e a constituição por Delgado de um Movimento Nacional Independente com imediata preparação de uma revolta militar. O próprio salazarismo, sente que no governo há uma crescente tensão entre uma ala afecta a Santos Costa e outra inspirada por Marcello Caetano. A solução vai ser encontrada com uma remodelação ministerial em 14 de Agosto, saindo Santos Costa e Marcello. Para o lugar deste, Pedro teotónio Pereira. Nos ministérios económicos, Pinto Barbosa nas finanças e Ferreira Dias na economia, com Arantes de Oliveira nas obras públicas. Nos ministérios sociais: Veiga de Macedo nas corporações e Martins de Carvalho na saúde. No interior, Pires Cardoso. Salazar terá desabafado para um colaborador: se a campanha de Delgado se tivesse prolongado por mais um ou dois meses, ele tinha ganho as eleições...

 

Fim das eleições presidenciais directas

Daí que numa apressada revisão constitucional se liquidasse o processo de eleição presidencial que passou a assentar num colégio eleitoral de notáveis do regime. Assassinado por agentes da em 23 de Fevereiro de 1965.

 



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