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Lacroix, Jean (1900-1986) Professor francês do ensino
secundário, em Lyon, de 1937 a 1968. Um dos fundadores da revista Esprit.
Responsável pelas crónicas filosóficas do jornal Le Monde, entre 1951
e 1980.
–Personalismo
e direito natural,136,949–Poder e autoridade,55,352–Política, realização
da filosofia entre homens,17,122–Política, retorno da violência sobre si
mesma,17,125
Jean
Lacroix, a autoridade, como indica a
etimologia, é o que aumenta do interior a sociedade humana, a aprofunda, e lhe
permite realizar-se. Ter autoridade é ser autor. Podemos contestar os poderes,
mas não podemos recusar toda a autoridade. De facto, não devemos identificar o
poder com a autoridade, porque é verdade que o poder é sempre constituído e a
autoridade apenas constituinte
"a
política ,na sua essência,é a vontade de realizar,tanto quanto possível,a
filosofia entre os homens",isto é,"a mediação concreta que permite
ao homem pô r-se como ser racional".
Jean
Lacroix, o problema está em que o homem não
se torna racional senão quando treme diante da razão, que lhe aparece
inicialmente sob a forma de coacção exterior. É obedecendo à lei que se
torna concretamente racional, onde o direito é uma anti-razão ao serviço da razão e onde a política constitui uma
espécie de retorno da violência sobre si
mesma
"o
fim do político é a realização do universo concreto nos e pelos Estados
particulares hoje, talvez no e pelo Estado mundial amanhã ".
"o
homem é um lobo que se torna Deus pela instituição simultaneamente racional e
artificial do Estado".
"o pensamento de Rousseau é incrivelmente desconhecido" ,acentua que há nele um kantismo antecipado bem como uma visão cristão da sociedade:"a vontade geral quer dizer vontade do geral,é a vontade da razão,a vontade universal". numa aproximação ao personalismo,"o direito natural é o reconhecimento de uma espécie de direito geral de ter direitos",é a "racionalidade própria da ordem jurídica,constituindo simultaneamente a sua norma imanente e o seu princípio de julgamento". Para este autor "dele não podemos extrair nenhum direito positivo particular mas,no entanto,obriga-nos a admitir uma lei positiva e a corrigi-la constantemente.Utilizado por uns como conservador, por outros como revolucionário,o direito natural é,como toda a ideia reguladora,uma e outra coisa". Em Lacroix há,assim,um retomar do justicialismo jurídico,num retorno ao direito natural que não passa pelo regresso ao direito divino ou à razão iluminista,mas antes a uma justiça existencial.Como ele diz,"o direito natural age através da crença" e "admitir o direito natural é admitir a pessoa,ou,antes,reconhecë-la;negá-lo é negá-la". Numa aproximação ao personalismo considera que o direito natural é o reconhecimento de uma espécie de direito geral de ter direitos, é a racionalidade própria da ordem jurídica, constituindo simultaneamente a sua norma imanente e o seu princípio de julgamento. Assim, dele não podemos extrair nenhum direito positivo particular mas, no entanto, obriga-nos a admitir uma lei positiva e a corrigi-la constantemente. Utilizado por uns como conservador, por outros como revolucionário, o direito natural é, como toda a ideia reguladora, uma e outra coisa.·Le Sens du Dialogue Neuchâ tel, La Baconnière, 1944. ·Marxisme, Existentialisme et Personnalisme Paris, Presses Universitaires de France, 1946. Ver a trad. port. Marxismo, Existencialismo, Personalismo, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1972. ·Le Sentiment et la Vie Morale Paris, Presses Universitaires de France, 1952. ·La Sociologie d'Auguste Comte Paris, PUF, 1956. ·Histoire et Mystère 1962. Cfr. trad. port. de Paulo Eduardo Arantes, São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1967. Obra dividida em quatro partes: a crise do progresso; a filosofia kantiana da história; economia, moral e po·lítica; mistério e razão. ·Panorama de la Philosophie Française Contemporaine Paris, Presses Universitaires de France, 1966. ·Philosophie de la Culpabilité Paris, Presses Universitaires de France, 1977. ·Le Personnalisme 1981. Cfr. trad. port. de Olga Magalhã es, O Personalismo como Anti-Ideologia, Porto, Rés Editora, 1977.
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